Maior invento de informação e
entretenimento, a primeira transmissão de televisão no Brasil
completa 60 anos, enquanto os aparelhos renovam-se em velocidade
cada vez mais acelerada
Em 1950, o aparelho que uniu a voz e a emoção do rádio às
imagens, a TV ocupou lugar de destaque no Brasil. Era o maior
objeto de desejo das famílias de classe média no país, que
acelerava seu desenvolvimento. Foi em setembro, mais precisamente
no dia 18, que a televisão brasileira fez a sua primeira
transmissão. O pioneirismo na América Latina deveu-se ao polêmico
jornalista e empreendedor Assis Chateaubriand, dono dos Diários e
Emissoras Associadas, um império de jornais, revistas e estações de
rádio.
Às 10 horas desse dia histórico, surgia nas telas dos primeiros
televisores importados o Show da Taba, tendo como protagonista a
radioatriz Yara Lins. Depois de cumprimentar as senhoras e os
senhores telespectadores, ela anunciou: "PRF 3 TV, Emissora
Associada de São Paulo, orgulhosamente apresenta o primeiro
programa de televisão da América Latina." Era a TV Tupi, de Assis
Chateaubriand, entrando no ar.
Poucas e privilegiadas famílias paulistanas testemunharam o
nascimento da televisão no Brasil, fascinadas com as precárias
imagens em preto e branco mostradas por aquele aparelho inventado
nos Estados Unidos em 1936. O local escolhido foi o Automóvel Clube
de São Paulo, com um banquete que reuniu 150 personalidades da
época. O anfitrião era o próprio Chateaubriand, que trouxe de avião
dos EUA cerca de duzentos televisores.
Nessa época, os televisores importados custavam quase o preço de
um automóvel e poucas pessoas presenciaram a estreia da televisão
no Brasil e durante muito tempo era comum que as salas de visita
recebessem, para assistir aos programas, vizinhos, conhecidos por
"televizinhos".
Mas, menos de um ano após a primeira transmissão, o país
assistia a chegada do primeiro modelo nacional: um televisor branco
e preto, de 17 polegadas, fabricado pela Semp Rádio e Televisão,
atual Semp Toshiba. Foi esse produto que garantiu o acesso de
muitas famílias brasileiras a um novo modelo de entretenimento.
Durante os primeiros tempos, as vendas de TV dobraram de ano
para ano até atingirem a marca de 85 mil unidades, em 1957, e 200
mil, em 1960. Para se ter uma ideia, atualmente o mercado movimenta
mais de 10 milhões de TVs ao ano.
Invenção da Televisão
Muita gente pensa que a linha evolutiva da televisão derivou da
invenção do cinematógrafo dos irmãos franceses Lumière ou ainda da
Daguerreotipia, método de produção de imagens sem negativo criado
pelo também francês Louis Mandé Daguerre, em 1830. A invenção de
Daguerre foi a responsável pela difusão da fotografia em 1880. Mas
nem a invenção dele nem a tela grande foram as responsáveis diretas
pela criação da televisão. Em 1842, o escocês Alexander Bain
conseguiu transmitir via telégrafo imagens em movimento de forma
precária. Pouco antes, em 1817, o químico sueco Jakob Berzelius
havia descoberto o selênio, elemento químico que o inglês
Willoughby Smith comprovou ser capaz de transformar energia
luminosa em energia elétrica. Smith anunciou os resultados de seus
experimentos em 1873. A descoberta do britânico levou à invenção
das células fotoelétricas, inclusive daquelas utilizadas nos
primeiros sistemas de televisão.
Ao patentear em 1923 o iconoscópio, ampola de vidro que seria o
mais antigo antepassado tubo televisivo, o russo Wladimi Zworykin
foi considerado dono de um protótipo genial. O técnico foi
convidado pela Radio Corporation of America, a então RCA, a liderar
a equipe que produzia o primeiro tubo de TV, chamado Orthicon,
produzido em escala industrial a partir de 1945, com o fim da II
Guerra Mundial.
Evolução Tecnológica
Quem liga hoje uma TV em cores com controle remoto não faz ideia
de que, antigamente, era preciso esperar até 30 segundos depois de
girar o botão para a TV ligar. Para a mágica acontecer, os
filamentos das válvulas precisavam esquentar, para só então
assistir aos programas em vários tons de cinza. E mais: à medida
que as válvulas iam envelhecendo, a imagem se tornava cada vez mais
difusa. Fora isso, a falta de definição era um problema por causa
da forma do cinescópio (tubo). Ele era muito comprido, o que
permitia o desvio de alguns feixes de luz que vinham do fundo, no
caminho até a projeção da imagem na tela. Além disso, o cinescópio
de vidro transparente era revestido por uma fina camada de fósforo
e que foi substituída por alumínio em 1956 fazendo com que as
imagens ganhassem mais brilho.
Fora a parte tecnológica que ainda estava em seus primeiros
tempos de desenvolvimento, os aparelhos eram grandes e pesados,
geralmente envolvidos por móveis de madeira de lei, assim como os
rádios e as vitrolas.
Em 1962, algum tempo depois do primeiro aparelho da Semp
fabricado no Brasil, em 1951, a indústria nacional já produzia
aparelhos de 11, 13, 19, 21 e 23 polegadas.
A evolução tecnológica deixou também na lembrança a época em que
as primeiras emissoras de televisão - que funcionavam a válvula,
com antenas modestas e sinais fracos - começaram a se instalar no
Brasil, pois somente quem morava perto delas obtinha uma imagem sem
chuviscos e interferências. Os outros telespectadores acabavam
recorrendo às famosas esponjas de aço na antena interna. Mesmo com
tudo isso, as transmissões e os televisores não deixaram de
empolgar a população na época.
Outro capítulo da evolução tecnológica da TV iniciou-se com o
desafio de transmitir as imagens em cores. O problema foi resolvido
em 1954 com a criação do formato americano NTSC (National
Television System Committe). Logo depois, vieram o PAL (alemão) e o
Secam (francês). No Brasil, quem tinha aparelhos adaptados ao
sistema PAL M já pôde assistir em cores à Copa do Mundo de 1970,
transmitida via Embratel. Porém somente em 1972 a transmissão em
cores teve início oficial.
Resolvido o problema de dar cor às imagens, o desafio, a partir
de 1970, era aumentar o tamanho da tela. O problema era que, para
aumentar a largura da tela, era preciso fabricar um tubo sempre
maior. Televisores de 40 ou 50 polegadas eram enormes e custavam
muito caro, além de ocuparem muito espaço em salas de tamanho
convencional. Esses formatos não resistiram à onda de compactação
que viria anos à frente.
O salto tecnológico da TV nos últimos vinte anos iniciou com o
desenvolvimento da TV de plasma, um tipo de gás que forma as
imagens. Quando foi lançada a TV de plasma, um aparelho chegava a
custar 50 mil reais e, nos primeiros anos, era objeto de desejo
acessível a muito poucos. Com o rápido avanço na tecnologia e o
aumento da produção, esse preço foi sendo reduzido até que se
tornou um dos eletrônicos mais vendidos no Brasil. Paralelamente a
isso, o LCD, tela de cristal líquido que já frequentava monitores
de computador, calculadoras, palm tops, entre outros, foi embarcado
na TV com muito sucesso e vem suplantando a tecnologia de plasma no
mercado, com alta qualidade e a custos cada vez mais
acessíveis.
Com a disseminação dessas TVs de tela plana, veio também o
lançamento da tão esperada TV Digital, um marco na história da
televisão no país e já disponível na maioria dos estados
brasileiros. Para ter acesso ao conteúdo de alta definição dos
canais da TV aberta, é necessária a conexão de um conversor
digital, que pode ser adquirido separadamente ou já estar integrado
aos novos aparelhos de TV.
Entretanto as duas tecnologias - plasma e LCD - estão agora
acompanhadas pela última inovação que são as TVs de LED (diodos
emissores de luz). Essas TVs reproduzem imagens com excelente
qualidade com o diferencial o design ultrafino. A cada avanço
tecnológico, as imagens ficam mais nítidas, as telas maiores e o
design mais fino. Como a velocidade da evolução da dos televisores
se supera a cada ano, já se fala muito sobre a próxima febre no
segmento, que é a tecnologia 3D, que promete colocar o
telespectador dentro da cena.
O ritmo de inovação dos aparelhos é frenético, porém a captação
(gravação), a edição e a transmissão de imagens nos novos formatos
digital, HD e 3D ainda é restrita. As plataformas das novas
tecnologias foram ampliadas. Dá para assistir à TV no celular e no
computador com uma antena específica (pen TV) ou via internet.
Recentemente, tecnologias que permitem que o usuário assista a
filmes postados no You Tube, por exemplo, foram embarcadas dentro
da televisão e estão abrindo espaço para a instalação de placas e
HDs que tornam a TV praticamente um híbrido TV/Computador, viável
para rodar muitos aplicativos. Ou seja, a diversidade de aparelhos
é imensa, com cada vez com mais recursos.
Sobre a Semp Toshiba
A Semp Toshiba é uma das maiores fabricantes de
eletroeletrônicos do Brasil e possui o mais extenso portfólio de
produtos do setor. A Semp Toshiba Amazonas, localizada em Manaus,
produz TVs, DVDs, áudios e telefones. A STI - Semp Toshiba
Informática, de Salvador, fabrica desktops, notebooks, servidores,
copiadoras multifuncionais e uma linha voltada à mobilidade, com
celulares, multimídia players digitais, entre outros produtos. As
marcas Toshiba, STI e Semp são reconhecidas pela inovação, pela
tecnologia e, sobretudo, pela qualidade dos seus produtos. Fundada
há quase 70 anos, a Semp Toshiba possui capital majoritário
nacional e conta com cerca de 4 mil funcionários, entre as unidades
de Manaus, Salvador, São Paulo e Cajamar (SP).